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Com as ‘mãos na massa’, 25 turistas norte-americanos, vindos do Estado da Califórnia, iniciaram, nesta segunda-feira (10), um mutirão para construção de casas populares, ecologicamente corretas, destinadas a famílias de baixa renda, em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá.
O projeto, conhecido como ‘Turismo Solidário’, tem atividades até sexta-feira (14), em um terreno localizado na esquina das avenidas Atlântica e Guarujá, próximo ao Rio Acaraú, no bairro Pae Cará. Os voluntários estão assentando tijolos e fazendo massa para levantar 32 moradias, com o auxílio dos beneficiados.
A ação é uma iniciativa da Prefeitura de Guarujá, por meio das secretarias de Turismo e Meio Ambiente e Diretoria de Regularização Fundiária; da Organização Não-Governamental (ONG) Habitat para a Humanidade Brasil, que coordenou a vinda dos turistas, e empresa Dow Brasil, parceira da Administração para viabilizar a construção das casas.
A Habitat Brasil faz parte de uma rede mundial, presente em 93 países, que realiza programas de voluntariado, sempre com foco em habitação. A obra será toda realizada em sistema de mutirão. A ONG coordena os grupos que atuarão no terreno, com a supervisão de uma empreiteira. No lançamento do projeto, em novembro passado, cerca de 250 voluntários da Dow Brasil iniciaram a preparação do terreno, com serviços de terraplanagem e colocação dos primeiros blocos.
Nesta etapa, os estrangeiros que vieram trabalhar aqui se cadastraram via internet, com objetivo de atuar voluntariamente em qualquer lugar do mundo. “No Brasil, já tivemos em Minas Gerais, Ceará e Tocantins, entre outros. Mas no Estado de São Paulo, esta é a terceira cidade a receber o projeto”, explica o coordenador de voluntariado da Habitat Brasil, Antônio Pais, citando as cidades de Franca e Piracicaba como as precursoras da iniciativa no País.
Participam desta ação, norte-americanos de todas as idades e profissões. Eles custeiam a viagem, hospedagem e ainda doam U$ 350 para o projeto. Com a missão de ajudar ao próximo, o engenheiro aposentado Edward Berry, 65 anos, disse que a realidade sofrida dessas pessoas motiva o grupo a trabalhar. “É prazeroso poder ajudar. Essas pessoas precisam muito’”, contou Berry, que está ansioso para conhecer os locais do entorno da obra.
A engenheira hidráulica Marti Widik, 42 anos, contou que resolveu ser voluntária na Habitat para a Humanidade porque a organização não pratica o assistencialismo. “Aqui as famílias participam e sabem que terão que pagar pela obra, mesmo que a custo bem popular”, salientou. Ela contou que daqui a alguns anos pretende voltar ao Guarujá, para ver como as famílias do local estão vivendo.
Assessora de contas, Ellen Yowell, 26 anos, que trabalha dando assistência a um escritório de advocacia, ficou surpresa pelo clima do País. “É muito quente por aqui, mas ainda bem que vocês têm belas praias. O ambiente é prazeroso”.
O encerramento das atividades será neste sábado (15), às 10 horas, com uma celebração ecumênica religiosa, que contará o coral da Igreja Metodista. No mesmo dia, logo após o ato ecumênico, os turistas percorrerão as principais praias da Cidade, em um city tour. Em seguida, haverá um passeio histórico na Ermida do Guaibê, na Serra do Guararú. No domingo (16), ainda sem horário definido, os visitantes conhecerão a Fortaleza da Barra Grande, em Santa Cruz dos Navegantes.
- Projeto:
A construção dessas 32 casas, em parceria com a Dow Brasil, é a primeira ação de um grande projeto habitacional que será desenvolvido no Eixo Acaraú, envolvendo habitação, educação e preservação do mangue. Os lotes foram doados às famílias pela Prefeitura.
As casas têm, aproximadamente, 42 metros quadrados. O terreno de 1.915 metros quadrados comporta a construção de oito blocos prediais, com quatro unidades habitacionais cada um, além de uma área comum de lazer, estacionamento privativo, arborização e dois bicicletários para o principal meio de transporte na Cidade.
A Caixa Econômica Federal, mediante convênio com a Habitat Brasil, fornecerá um subsidio de, aproximadamente, 50% do valor da unidade habitacional, o que corresponde a cerca de R$ 14 mil para cada família. As famílias pagarão, durante sete anos, uma mensalidade de pouco mais de R$ 50. O valor total da obra é de R$ 900 mil.
O projeto completo vai atender 139 famílias das comunidades Santa Madalena e Avenida Atlântica, além de prever toda a revitalização do Rio Acaraú.
O investimento é de aproximadamente R$ 2,5 milhões, a ser custeado pelo Governo Federal, por meio do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS). Serão construídas 80 moradias e 59 famílias terão suas casas consolidadas.
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