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Acordar cedo todos os dias, tomar banho, café da manhã, vestir o uniforme, pegar o material, e, finalmente, ir para a escola. Esta rotina diária — que para muitas crianças pode parecer maçante – fazia parte dos sonhos de duas alunas da rede municipal de ensino: Maíra Magalhães Pupo, 11 anos, e Caroline Freire dos Santos, 8 anos. Ambas possuem muitas coisas em comum, além da grande esperança que as aproximou: a de ter a oportunidade de estudar. Determinadas a aprender, estão matriculadas na escola Barão do Rio Branco (Campo Grande) e conseguem encantar e contagiar a todos que têm a chance de conhecê-las pela garra e vontade de viver.
Maíra e Caroline, por serem portadoras de amiatrofia muscular espinhal — doença que afeta as células da medula — estão incluídas no programa de Atendimento Domiciliar Integral, inédito no Brasil, desenvolvido pela Prefeitura de Santos, por intermédio da Secretaria de Educação. Elas não podem sair de casa para freqüentar a escola e, por isso, a Seduc disponibiliza dois educadores que respondem pela formação das crianças. Esta é mais uma das ações desenvolvidas pela Administração Municipal dentro das políticas públicas de inclusão educacional, que garantem o acesso e a permanência do aluno na escola visando o desenvolvimento pleno da cidadania.
O desempenho e a satisfação de Valéria Paixão, professora de Caroline, é a maior comprovação de que o programa alcança os objetivos esperados. Do contato diário entre educadora e a aluna nasceu um grande vínculo afetivo. “Essa é uma experiência diferente e muito gratificante. Vai além de qualquer relação que você têm com as crianças na sala de aula”.
A professora conta que está sempre em busca de coisas novas que possam ser adaptadas ao aprendizado da menina, que é tetraplégica e respira com a ajuda de aparelhos. “Sou funcionária efetiva da Prefeitura e portanto remunerada para dar aula para Caroline, mas a recompensa emocional é muito maior. O retorno que esse trabalho dá me impulsiona no dia-a-dia, e isso não tem salário que pague”.
- Amor à Educação:
“Comecei a trabalhar com a Mayra por amor à Educação”. Marilisa Cristina Filgueiras, soube do caso de sua aluna na Faculdade de Pedagogia. Ao conhecê-la, surpreendeu-se. “Assim que a vi percebi que era uma menina esperta, atenciosa e carinhosa”.
De acordo com a educadora, Mayra já está no terceiro ano do Ensino Fundamental e integrada à escola. Por meio de uma webcam (doada pela Seduc), via internet, mantém contato com os coleguinhas na sala de aula.
Mayra faz as mesmas atividades dos alunos de sua classe, lê livros e pesquisa na internet. “Algumas vezes, vamos pessoalmente à escola.
Nesses dias a direção propõe que as crianças tenham atividades específicas e ela se sai sempre muito bem”, conta orgulhosa.
- Convívio promove avanços na formação:
Com três anos de idade, Larissa Mariane Madeiros, perdeu a audição. Ela sofre de surdez profunda e se comunica por meio da linguagem de sinais e leitural labial. Desde que descobriu o problema, sua mãe, Maria de Lourdes Medeiros Araújo, luta pelos direitos da filha. “Quando soube que ela tinha direito a um intérprete para estudar, fui procurar a Seduc em busca de ajuda”, lembra a mãe.
Desde então, com a ajuda de um professor especializado na Língua Brasileira de Sinais (Libras), Larissa passou a estudar na sala de aula com outras crianças. A inclusão de Larissa, não se dá apenas na classe da escola Pedro II (Ponta da Praia), onde estuda.
Recentemente, a menina foi federada no basquete da Fupes, já ganhou várias medalhas no ciclismo, faz parte do Coral dos Anjos (mantido pela Prefeitura) e ainda freqüenta o curso de informática educativa para deficiente auditivos, na Rede do Futuro. “Larissa é muito determinada. O convívio dela com outras crianças ajudou bastante no processo de alfabetização. Minha filha vai longe”, disse orgulhosa.
- Imaginação:
Com a visão totalmente comprometida, Bruna de Freitas Andrade consegue imaginar a feição dos personagens e a beleza das paisagens ajuda de sua professora, Sandra Augusta Machado. A professora descreve as ilustrações dos livros e as fotos das revistas e jornais para a aluna. “Ela consegue viajar para um mundo encantado. Conhecer os personagens. As vezes tenho a sensação de que ela está enxergando. É incrível o poder de sua imaginação”, explica a professora.
A menina, de nove anos, é aluna do 2º ano do Ensino Fundamental, da escola Dino Bueno (Encruzilhada), que foi adaptada pela Prefeitura para receber crianças com necessidades especiais. Atualmente, 10 portadores de deficiência visual estudam na unidade, sendo dois totalmente cegos e oito com baixa visão.
De acordo com sua professora auxiliar, a aluna desenvolve as mesmas atividades dos demais alunos, com o auxílio de um máquina Braille, adquirida pela Prefeitura. “É um trabalho individualizado. Todo material é adaptado ou ampliado para as crianças cegas ou que possuem baixa visão”, explica a professora.
- Serviço:
Dos aproximadamente 35 mil alunos matriculados na rede municipal de ensino, 1.819 estão inclusos em salas de aulas com acompanhamento de profissionais especializados. O Município possui 55 escolas inclusivas, com objetivo de possibilitar que às crianças aprendam a viver na diversidade.
Os educadores são preparados com formação continuada para o atendimento das necessidades específicas de cada aluno. A Seduc disponibiliza equipamentos, serviços de apoio, áreas adaptadas e professores qualificados. Este conjunto de ações possibilita ao portador de deficiência a integração na sala de aula. De acordo com a secretária de Educação, Suely Maia, a educação inclusiva assegura ao aluno a oportunidade de participar, ser valorizado e estudar com os colegas de classe.
Compare Preços:
Banho, Café, Uniforme, Medalha, Coral, Livro.

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