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Para combater a falta de diálogo familiar sobre sexualidade e Aids, a Companhia Paulista de Artes decidiu colocar o tema nas ruas com a peça “Cobrindo a megera, de olho na fera”, que também trata do preconceito com portadores do vírus HIV, transmissor da doença. O grupo se apresentou para cerca de 500 adolescentes em Praia Grande, dentro da programação do Dia Mundial de Luta contra a Aids, marcado para esta sexta-feira (1°).
“Criamos uma peça voltada para promover prevenção”, explica o diretor Marcelo Peroni. Ele relata que o grupo, com sede na cidade de Jundiaí, apresentou o espetáculo em estados do Sudeste e Nordeste.
O fato de a peça aliar a discussão sobre sexualidade com o teatro de rua rendeu contratempos para o trabalho do grupo, conta o diretor. “Em uma cidade fomos questionados sobre encenar o espetáculo na praça principal, onde havia uma igreja. Já no interior paulista, um vereador perguntou se contávamos com autorização do bispo.”
“Em cada região, o público trata de maneira diferente a peça”, afirma o Peroni. “Também fomos acusados de incentivar os jovens a fazer sexo. O fato é que as pessoas fazem sexo. Prova disso é a quantidade de gente que nasce todos os dias.”
Após o espetáculo no ginásio da Secretaria de Juventude, Esportes e Lazer (Sejel), os adolescentes participaram de debate. “Estamos acostumados a fazer apresentações para públicos menores. O retorno em Praia Grande nos surpreendeu. Há lugares que os adolescentes encaminham as perguntas por escrito devido à timidez”, afirma Peroni.
O diretor explica que o diálogo com o público é responsável por alterações no texto. “Quando surgiram dúvidas sobre o vírus passar pela camisinha, passamos a abordar o assunto.”
Encenada desde 2001, a peça foi apresentada em novembro durante o 6º Congresso Brasileiro de Prevenção às DST e Aids, em Belo Horizonte.
Realismo – Após a apresentação de “Cobrindo a megera, de olho na fera”, à tarde, o grupo encenou “Jovem sim, e daí?” no período noturno. O texto tem como alvo quem está prestes a iniciar a vida adulta.
“Nesse espetáculo tratamos de situações que fazem parte do dia-a-dia dos jovens para provocar uma reflexão. A idéia é que ele assista e tire as próprias conclusões. Que ele pare, pense e analise”, explica Peroni. Além dele, atuam em ambas as peças Ana Paula Castro, Artur Martins, Aline Volpi, Vivi Masolli e Rosângela Torrezin.
Dança – O público que compareceu ao ginásio da Sejel pôde assistir também à apresentação da Companhia de Dança Elementus. O grupo participou voluntariamente do evento, organizado pela Coordenação Municipal de DST/Aids/Hepatites.
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